sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Salmos 40 - Deus inclina-se para atender o seu servo


E, por que o deleite (comida) do Messias seria fazer a vontade do Pai? Porque Ele voluntariamente buscou a verdade e a fez estar unida ao seu coração! Cristo é a verdade, o Verbo de Deus encarnado, a luz dos homens, o homem humilde e manso de coração, pois não buscou fazer a sua própria vontade "Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou" ( Jo 5:30 ; Sl 38:13 -14 ; Mt 11:29 ).
O escritor aos Hebreus dá um parâmetro seguro a seguir quando demonstra que o Salmo 40 faz referência a Cristo, que se despiu da sua glória e foi introduzido no mundo “Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste; Holocaustos e oblações pelo pecado não te agradaram. Então disse: Eis aqui venho (No princípio do livro está escrito de mim), Para fazer, ó Deus, a tua vontade” ( Hb 10:5 -7 ; Sl 40:6 -8).
Quem entrou no mundo? Certamente não foi o salmista e rei Davi, porque para entrar no mundo é necessário ser pré-existente e o único pré-existente foi o Verbo de Deus - Cristo.
Sabendo que os salmos são profecias ( 1Cr 25:1 ), e que eles fazem referência a pessoa de Cristo ( Lc 24:44 ), deve-se analisar todo o texto do Salmo 40 comparando com a pessoa e vida de Cristo ( Jo 5:39 ; Sl 40:7 ), pois os profetas não profetizam acerca de si mesmo, antes apontavam para o Messias “E, respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o profeta? De si mesmo, ou de algum outro?” ( At 8:34 ).
O período das previsões dos salmistas varia muito, pois os salmos foram escritos em um lapso temporal de aproximadamente um milênio, desde a data aproximada de 1440 a.C., quando houve o êxodo dos Israelitas do Egito até o cativeiro babilônico. Através das profecias têm-se uma visão do que significa a presciência de Deus, porém, os salmos fixam-se na pessoa do Cristo, o Filho de Davi.

1      ESPEREI com paciência no SENHOR, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor.
2      Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos.
3      E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no SENHOR.
4      Bem-aventurado o homem que põe no SENHOR a sua confiança, e que não respeita os soberbos nem os que se desviam para a mentira.
5      Muitas são, SENHOR meu Deus, as maravilhas que tens operado para conosco, e os teus pensamentos não se podem contar diante de ti; se eu os quisera anunciar, e deles falar, são mais do que se podem contar.

Quem esperou pacientemente no Senhor? O salmista Davi? Não! Quem aguardou confiando no Senhor foi o Servo do Senhor, o Messias.
Esperar pacientemente é o mesmo que confiar, descansar, e Cristo sabia que seria ouvido prontamente sempre, mesmo na morte "Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos?" ( Mt 26:53 ), de posse de condições de por fim ao seu sofrimento, esperou pela providência do Pai.
O pedido de Cristo sempre foi segundo a vontade do Pai, pois Ele não rogou que o livrasse da morte física, antes que, mesmo na morte guardasse sua alma em segurança. Neste sentido Deus inclinou-se e ouviu o clamor do seu Filho "Guarda a minha alma, pois sou santo: ó Deus meu, salva o teu servo, que em ti confia" ( Sl 86:2 ).
Deus inclinou-se e ouviu o clamor do seu Filho! O profeta narra a ação de Deus em favor de Cristo na perspectiva do próprio Cristo, pois tudo é descrito na primeira pessoa: Ele inclinou-se para mim! Temos neste verso estampado a perspectiva de Cristo que percebeu que o Pai inclinou-se para atendê-lo.
Mas, por que Cristo teve que esperar? Por que não foi atendido de pronto? Por causa do tempo preordenado pelo Pai, conforme se lê: “Assim diz o SENHOR: No tempo aceitável te ouvi e no dia da salvação te ajudei, e te guardarei, e te darei por aliança do povo, para restaurares a terra, e dar-lhes em herança as herdades assolada” ( Is 49:8 ).
O Salmo 22, no verso 24, temos o salmista apresentado o motivo pelo qual o Filho clamaria ao Pai: o momento de aflição “Porque não desprezou nem abominou a aflição do aflito, nem escondeu dele o seu rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu” ( Sl 22:24 ; Mc 14:32 -36).
A situação do Messias no momento de angustia, pavor, é descrito como quando alguém está em uma fossa mortal, um buraco repleto de lama porém, a ação salvadora do Pai o transfere para uma condição descrita como uma rocha onde os passos não vacilam, são firmes (v. 2 ; Sl 56:13 ).
O fato de o Pai ter socorrido o Filho serviu de louvor à glória do Pai, ou seja, um cântico foi posto na boca do Filho quando o Pai veio em seu auxílio ( Jo 17:4 ; v. 3).
Até a parte ‘a’ do verso 3 o salmista utiliza a primeira pessoa do discurso e, nesta perspectiva temos o Verbo de Deus descrevendo qual seria a sua situação e estado emocional, já na parte ‘b’, ele passa para a terceira pessoa do plural e demonstra que muitos haveriam de contemplá-lo: “muitos o verão, e temerão, e confiarão no SENHOR” (v. 3), ou seja, muitos veriam e confiariam naquele que esperou e foi ouvido "O SENHOR desnudou o seu santo braço perante os olhos de todas as nações; e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus" ( Is 52:10 ).
O Senhor que muitos confiarão ao vê-lo é o Senhor que escondeu o seu rosto da casa de Israel, que haveria de resplandecer o seu rosto para iluminar os que jaziam em trevas "E esperarei ao SENHOR, que esconde o seu rosto da casa de Jacó, e a ele aguardarei" ( Is 8:17 ; Sl 80:3 ; Sl 110:10 ).
O verso 4 disserta sobre a condição do Messias perante Deus: o homem bem-aventurado. Na posição de homem Cristo não se associou aos soberbos nem aos mentirosos, não se conformou com os injustos chefes da religião, ao contrário, resistiu-lhes ( Sl 56:1 -2; Sl 52:1 -6).
Como Deus, Ele não somente os resistirá com palavras, mas também abaterá todo soberbo e os que se desviaram para a mentira "Exalta-te, tu, que és juiz da terra; dá a paga aos soberbos" ( Sl 94:2 ). Só o juiz de toda a terra pode identificar os soberbo e os mentirosos e abatê-los na sua ira "Derrama os furores da tua ira, e atenta para todo o soberbo, e abate-o" ( Jó 40:11 ).
Quando Deus ordenou que abatesse todos os soberbos, Jó levou a sua mão à boca, pois para fazê-lo seria necessário ter braços como Deus ( Jô 40:9 ).
No verso 5 tem-se um devocional do servo do Senhor no qual se faz referencia às ações maravilhosas de Deus em prol dos homens, pois o Servo paciente conquistou um nome superior a todo nome, poder e glória. Somente o Servo do Senhor pode mensurar o premio que lhe estava proposto, mas não era possível anunciá-las devido ao montante incalculável (v. 5).

6      Sacrifício e oferta não quiseste; os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste.
7      Então disse: Eis aqui venho; no rolo do livro de mim está escrito. 8  Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração.

Para levar a efeito os seus desígnios Deus não exigiu sacrifico e oferta ( Sl 51:16 ), pois os sacrifícios para Deus são espírito quebrantado e coração quebrantado ( Sl 51:17 ). Sabedor desta verdade, Cristo se postou como servo voluntário e foi obediente em tudo, pois importava obedecer ao Pai em tudo “Então seu SENHOR o levará aos juízes, e o fará chegar à porta, ou ao umbral da porta, e seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o servirá para sempre” ( Ex 21:6 ).
Algumas versões rezam acertadamente ‘minha orelha furastes’ em lugar de ‘os meus ouvidos abristes’, ou 'corpo me preparaste', o que confirmaria, segundo o previsto na lei mosaica, a voluntariedade do Servo do Senhor que se prontificou e disse: Eis aqui venho!
As ofertas e holocausto que eram oferecidos segundo a lei não foram exigidos por Deus, pois o sangue das vítimas utilizadas para a expiação não podiam tirar pecado, mas o povo em vez de obedecê-Lo era voluntarioso em sacrificar ( Hb 10:4 ; 1Sm 15:22 ).
O homem é voluntarioso em buscar para si uma vítima para colocar sobre o altar do sacrifício, porém, se esquece de confiar no Deus da providência, que já proveu para si o cordeiro, e este foi morto desde a fundação do mundo ( Gn 22:8 ; Ap 13:8 ).
Diante da triste realidade dos homens insubordinados, o servo do Senhor voluntariou-se: “Eis aqui venho!” (v. 7), e assim Cristo veio, conforme estava predito no livro: na condição de servo do Senhor "Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra" ( Is 49:6 ).
Mas, qual foi o propósito daquele que se voluntariou diante de Deus? Oferecer ofertas e sacrifícios? Não! Ele se ofereceu para fazer a vontade do Pai! (v. 9 ; Jo 4:34 e Jo 6:38 ).
E, por que o deleite (comida) do Messias seria fazer a vontade do Pai? Porque Ele voluntariamente buscou a verdade e a fez estar unida ao seu coração! Cristo é a verdade, o Verbo de Deus encarnado, a luz dos homens, o homem humilde e manso de coração, pois não buscou fazer a sua própria vontade "Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou" ( Jo 5:30 ; Sl 38:13 -14 ; Mt 11:29 ).
Sacrifícios são da vontade do homem "E, quando oferecerdes sacrifício pacífico ao SENHOR, da vossa própria vontade o oferecereis" ( Lv 19:5 ; Lv 22:29 ), que difere da vontade de Deus, que ordenou misericórdia "E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos" ( Ex 20:6 ; Mt 12:7 ; Os 6:6 ).
Por que Moisés foi considerado o homem mais manso da terra? ( Nm 12:13 ), porque ele foi fiel em toda a casa do Senhor como servo para testemunho das coisas que se haviam de anunciar ( Hb 3:6 ), mais Cristo como Filho sobre a sua própria casa, por ser servo obediente em tudo e o anunciador de boas novas é superior a Moisés: humilde e manso de coração ( Hb 3:7 e Fl 2:8 ).
A humildade e mansidão decorre da obediência à vontade de Deus ( Hb 3:2 ). Confiar na salvação de Deus é o mesmo que ser humilde e manso, pois Deus salva os humildes, ou seja, que confiam na sua palavra, mas resiste aos soberbos ( Tg 4:6 ; 1Pe 5:5 ).

8      Preguei a justiça na grande congregação; eis que não retive os meus lábios, SENHOR, tu o sabes.
9      Não escondi a tua justiça dentro do meu coração; apregoei a tua fidelidade e a tua salvação. Não escondi da grande congregação a tua benignidade e a tua verdade.
Assim como o profeta Moisés anunciava a congregação de Israel a vontade de Deus, o Filho anunciou à grande congregação que abarca todos os povos qual é a justiça do Senhor. Enquanto esteve na terra, Jesus não reteve os seus lábios de anunciar a verdade aos homens.
A lei, a retidão que estava unida ao coração do Messias (v. 8), não foi escondida, antes o Cristo apregoou que Deus é fiel à sua palavra (Verbo que se fez carne) e que, Cristo homem é a salvação de Deus ( Jo 17:3 ), ou seja, Cristo revelou o Pai ao mundo quando demonstrou ser a benignidade (graça) e a verdade de Deus ( Jo 1:14 e 18 ; Hb 2:12 ).

10   Não retires de mim, SENHOR, as tuas misericórdias; guardem-me continuamente a tua benignidade e a tua verdade.
11   Porque males sem número me têm rodeado; as minhas iniquidades me prenderam de modo que não posso olhar para cima. São mais numerosas do que os cabelos da minha cabeça; assim desfalece o meu coração. 13  Digna-te, SENHOR, livrar-me: SENHOR, apressa-te em meu auxílio. 14  Sejam à uma confundidos e envergonhados os que buscam a minha vida para destruí-la; tornem atrás e confundam-se os que me querem mal. 15  Desolados sejam em pago da sua afronta os que me dizem: Ah! Ah!

O Servo do Senhor apresenta suas petições ao Pai, fiado na benignidade e fidelidade do Pai ( Sl 91:1 ; Sl 17:8 ). Por que o Servo do Senhor precisaria de proteção? A resposta decorre dos versos 12 ao 15: inúmeros males haveriam de cercar o Messias deixando-o em pavor ( Sl 69:9 ).
O Messias tomou sobre si a culpa da humanidade e levou sobre si "Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos" ( Is 53:6 ; Mt 26:60 ; Is 53:4 ; Sl 71:7 ; Sl 89:38 ; Sl 91:15 ).
O Servo do Senhor clama por auxílio a quem pode livrá-lo (v. 13), para que os que buscavam tirar-lhe a vida fossem confundidos e os que o afrontaram fossem retribuídos segundo as suas obras ( Sl 62:12 ); "E, respondendo todo o povo, disse: O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos" ( Mt 27:25 ).
A confusão dos que buscavam tirar a vida de Cristo é patente quando o Senhor no Jardim respondeu “Sou eu!” ( Jo 18:6 ), e todos retrocederam e caíram, conforme o predito no Salmo 56: “Quando eu a ti clamar, os meus inimigos retrocederão. Por meio disto saberei que Deus está comigo” ( Sl 56:9 ).

12   Folguem e alegrem-se em ti os que te buscam; digam constantemente os que amam a tua salvação: Magnificado seja o SENHOR.
13   Mas eu sou pobre e necessitado; contudo o Senhor cuida de mim. Tu és o meu auxílio e o meu libertador; não te detenhas, ó meu Deus.

Todos quantos buscam a Deus, segundo a poderosa salvação que foi levantada na casa de Davi ( Lc 1:69 ), devem regozijar-se. Pelo fato de ter sido salvo pelo Senhor, continuamente dirá, mesmo sem palavras, Magnífico é o Senhor!
Após fazer alusão a alegria daqueles que confiarem em seu nome, pelo espírito de profecia, o Servo do Senhor usa o salmista para relatar a sua condição de servo: “Mas eu sou pobre e necessitado; contudo o Senhor cuida de mim. Tu és o meu auxílio e o meu libertador; não te detenhas, ó meu Deus” (v. 17 ; Ap 19:10 ).

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